Nanda Amado, Saúde e Bem-estar

Doulagem – o ato de zelar

Os ventos sopram e me embalam até Mariana-MG para reencontrar no abraço a Rafaella Souza, doula-ativista-dos-corres-mídia-livre que transborda em meu coração, luta e carinho.

Nossas prosas são sempre muito provocantes, a base de questionamentos maravilhosos e delirantes dessa amarga/boa vida! Entre risos e indagações, falamos da maternidade. Sou mãe de Théo delícia-do-viver-amadinho, mas dessa experiência mágica me restaram as cicatrizes de um cesária desnecessária, daquelas que agendas são mais importantes do que a relação com o nascimento, para dois seres, afinal!

Rafa me embebeda de ocitocina (hormônio do amor) ao relatar sua última doulagem, e eu, a minha experiência quanto a indústria do parto e suas opressões. Nesses dois pontos nos encontramos na condição de mulheres que veem o  que é para parturiente, o apoio e humanização daquele momento.

doulas

 

Entrevista com a RAFA

Pois bem, muitxs me perguntam: o que é a doula e seu papel ?

Segue então, a prosa do Edmar Borges com a Rafaella Souza (MARAVILHOSA 🌻 ) que foi feita originalmente para a Revista Mandala:

🌱 Qual a importância, tanto para a doula quanto para a doulanda, de se acompanhar um processo de gestação e o parto, cada qual com suas especificidades e histórias distintas?

A doula é uma amiga. Ela transmite para a gestante, as informações e materiais necessário para que ela – e o companheiro(a) se houver – façam as melhores escolhas nos âmbitos da saúde e bem-estar da mulher e do bebê que virá. A doula está sempre estudando pois cada mulher tem mesmo sua história de vida e expectativas. Cabe à doula ser coadjuvante e nunca protagonista desse momento, não podendo impor assim, durante o processo de doulagem, suas concepções pessoais. É mais um processo de incentivar o empoderamento da outra mulher, para que o trabalho de parto e a maternidade sejam uma realização e não uma frustração, independente de quaisquer intercorrências que fujam do plano inicial.

🌸Quando você conheceu a doulagem e desde quando a adotou como uma profissão?

Em 2014, participei do Encontro Latinoamericano de Mulheres (ELLA) em Belo Horizonte e ouvi a palavra doula pela primeira vez, comecei a pesquisar e me interessei muito por essa personagem na cena do parto. Automaticamente estudei sobre a humanização do parto e nascimento no Brasil. Mas apenas em fevereiro de 2015 consegui encontrar um curso para fazer no GAMA (São Paulo) me formei e segui estudando. Conheci outra doula que iniciava a articulação pela humanização em Ouro Preto, quando retornei à UFOP, ela me integrou em um projeto de extensão e comecei trabalhar como doula na maternidade da Santa Casa de Ouro Preto. Tudo muito rápido, uma sequência de ações em Ouro Preto e Mariana que me deram a vivência que precisava para me dar a segurança que tenho hoje e me fizeram doula de verdade.

☀ A representatividade da mulher na mídia e no campo de ação social e político do dia-a-dia sofre ainda influência do patriarcalismo e do machismo, regentes de um modelo de pensamento “consensual” (milhares de aspas, por favor). Não bastasse isso, o sistema de saúde convencional tende (propositalmente ou não) a abreviar as interações humanas, especialmente no que diz respeito à obstetrícia, aconselhando partos cirúrgicos e limitando o acompanhamento afetivo na gestação. Como você enxerga a presença desses domínios no dia-a-dia do trabalho das doulas? E no pensamento das gestantes?

O que ocorre é que recai sobre a mulher o peso de qualquer escolha sobre seu corpo e a vida do bebê que ela gesta. Se a mulher escolhe ter um parto natural em casa por exemplo, ela é julgada por “colocar em risco” a vida do filho. A mulher é responsabilizada o tempo todo pela gestação, como se tivesse engravidado sozinha. Paralelamente, nossa cultura diz durante toda uma vida, que a mulher não pode parir sozinha, que ela precisa de um médico porque esse profissional estudou muito para tal. O que eu como doula levo para essa mulher é a informação de que quem faz o parto é ela e o bebê – que também se esforça para nascer – e que isso tem que dar a ela a autonomia sobre seu corpo e seu parto. Reconheço a importância do obstetra, reconheço principalmente sua formação técnica, que é muito diferente da minha, obviamente porque temos papeis diferentes. Mas digo a elas uma coisa que infelizmente não está dita: que elas é que tem que escolher. Que nenhum profissional – independendo da formação que tenha adquirido ou quantos nos tenha estudado – pode tocá-la ou intervir no parto sem que ela e seu acompanhante sejam totalmente informados e permitam essa ação. A cena do parto hospitalar que temos foi construída por homens, homens que biologicamente não sabem o que é parir. Uma mulher empoderada, ciente dos seus direitos e das recomendação da Organização Mundial da Saúde costuma ser um problema nesses ambientes. E é dessa forma que exerço meu feminismo, até porque, esse conhecimento não para nessa parturiente. As mulheres passam a outras tudo que vivenciaram na maternidade, e quando estão informadas, sabem exatamente as violências obstétricas que sofreram, os momentos em que se sentiram roubadas em seu processo e isso é sim, uma forma de cuidarmos umas das outras.

 

Desse energético momento, trago a lembrança do brilho dos olhos de Rafa, de sua emoção ao relatar  os nascimentos e a confiança estabelecida entre ela e as mães.

Creio que esse laço nunca mais será desfeito !

 

Links e mais links sobre doulagem

Bom, segue a vocês relatos de doulagem:

Doula a quem doer – Outro renascimento

Partindo do amor

 

Mais Informações:

revistamandala.com.br

www.doulas.org.br

 

Artigo completo da revista Mandala pelo Edmar Borges

http://revistamandala.com.br/empoderamento-e-sensibilidade-voce-sabe-o-que-e-uma-doula/

Filmes indicados pela Rafaella:

 

Essa prosa acaba agora não, logo teremos mais prosa sobre maternidade e a entrevista da Rafa ✊✊✊ !

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Tem prosa boa chegando, aguardem !!!

Passarinha vai ali balangar essxs mininxs, tomar um chazinhu e se emocionar bastante com essas mães-flores !!

Rafaella Souza :* ✊  🌱 , sigamos juntas !

#Aflorrompeoasfalto #passarinhandoporai #Doulagematodezelo

 

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